O que é tela de sombreamento — e por que elas não são todas iguais
Tela de sombreamento é um tecido de malha aberta fabricado com fibras sintéticas que filtra a radiação solar antes que ela chegue às plantas, animais ou qualquer outro elemento que você queira proteger. O percentual indica exatamente quanto de luz é interceptado: uma tela de 50% bloqueia a metade da radiação incidente e deixa a outra metade passar.
O que muita gente não sabe é que o percentual é apenas um dos fatores. O tipo de fibra, a cor e a estrutura da malha determinam como essa luz é filtrada — se ela é simplesmente bloqueada, difundida ou redirecionada para comprimentos de onda específicos. Isso muda completamente o resultado para cada cultura.
Nos próximos tópicos você vai entender as diferenças entre os tipos, as cores e os percentuais disponíveis, e vai saber exatamente qual combina com cada situação.
Raschel ou nylon? Entenda as diferenças antes de escolher
No mercado, as duas principais opções de tela de sombreamento são a raschel e a de nylon. A confusão entre elas é comum — e escolher errado pode custar anos de durabilidade ou dinheiro jogado fora.
Tela raschel
O nome raschel vem do tear utilizado na fabricação: o tear raschel entrelaça as fibras formando uma malha estabilizada que não desfaz. O material é o PEAD — polietileno de alta densidade — com aditivo de proteção UV para resistência à radiação solar.
Características: leve, flexível, fácil de cortar e trabalhar. É a opção mais versátil e está disponível em diferentes cores. Durabilidade média de 3 a 8 anos, dependendo da qualidade do aditivo UV e das condições de exposição.
Tela de nylon
Fabricada com fibra de poliamida (nylon), a malha é mais rígida, mais resistente à abrasão e não distorce sob tensão. É a escolha para instalações permanentes ou semipermanentes, estruturas de uso intenso e ambientes onde a tela precisará ser tensionada com força.
Durabilidade superior: 8 a 12 anos em condições normais de exposição. Disponível somente na cor preta, nos mesmos percentuais da raschel preta: 35%, 50%, 70% e 80%.
| Característica | Raschel | Nylon |
|---|---|---|
| Material | PEAD com aditivo UV | Poliamida (nylon) |
| Flexibilidade | Alta — fácil de cortar e dobrar | Média — mais rígida |
| Resistência à abrasão | Média | Alta |
| Durabilidade estimada | 3 a 8 anos | 8 a 12 anos |
| Cores disponíveis | Preta, cinza (Freshnet), vermelha | Preta |
| Percentuais | Preta e Freshnet: 35%, 50%, 70%, 80% — Vermelha: 30% | 35%, 50%, 70%, 80% |
| Indicação principal | Uso geral, rotativo, temp. ou semiperm. | Instalações permanentes de alta exigência |
Cores de tela de sombreamento: preta, cinza Freshnet e vermelha
A cor da tela não é apenas estética. Ela determina o que acontece com a luz que a tela intercepta.
Raschel preta
A mais utilizada no Brasil. A cor preta absorve e dissipa a radiação solar em forma de calor, bloqueando o espectro de forma ampla e uniforme. É a escolha mais versátil: funciona bem para a maioria das culturas, é fácil de encontrar e tem o melhor custo-benefício no geral.
Ideal para: proteção geral, redução de temperatura, sombreamento em viveiros, galpões e estufas.
Raschel cinza — Freshnet
A Freshnet é uma tela raschel de cor cinza com propriedade de difusão de luz. Em vez de apenas bloquear a radiação, ela a espalha, criando uma iluminação mais uniforme dentro do ambiente sombreado — sem sombras fortes e sem pontos de luz excessiva.
Dois benefícios práticos em relação à preta:
- Menos acúmulo de calor: a cor cinza reflete parte da radiação em vez de absorvê-la, o que resulta em temperatura interna mais baixa que a tela preta no mesmo percentual
- Luz difusa: plantas sob Freshnet recebem luz de forma mais homogênea, o que melhora a fotossíntese em toda a copa — especialmente em cultivos com dossel denso
Ideal para: floricultura de alto padrão, viveiros de mudas sensíveis, cultivos orgânicos, horticultura premium e qualquer situação onde a qualidade da luz importa tanto quanto a quantidade.
Raschel vermelha
A tela vermelha filtra seletivamente a luz, deixando passar preferencialmente os comprimentos de onda da faixa vermelha (600–700 nm). Essa faixa é a mais ativa na resposta das fitocromos — proteínas que controlam o desenvolvimento das plantas em função do espectro luminoso.
Efeito prático: plantas cultivadas sob tela vermelha tendem a apresentar maior elongamento de hastes e caules, o que é vantajoso em algumas situações específicas:
- Flores de corte com haste longa (rosas, cravos, crisântemos): a haste mais longa tem maior valor comercial
- Mudas para transplante: plantas mais altas são mais fáceis de manejar no campo
- Estacas em enraizamento: estímulo vegetativo antes do desenvolvimento radicular
Aqui na Arrud’Estufas, disponível a de 30%, não substitui a tela preta em aplicações gerais — é um produto específico para resultados específicos.
Percentuais de 30% a 80%: guia por cultura
Cada percentual reduz a radiação solar em proporção direta e impacta a temperatura interna do ambiente. A regra geral: quanto maior o percentual de sombreamento, maior a redução de temperatura — mas também menor a luz disponível para fotossíntese. O equilíbrio entre proteção e produtividade é o que define a escolha correta.
| % | Luz transmitida | Redução de temperatura | Culturas e aplicações indicadas |
|---|---|---|---|
| 30% (raschel vermelha) |
70% | 3 a 5°C | Flores de corte com haste longa, mudas para transplante, estacas em enraizamento |
| 35% | 65% | 4 a 6°C | Rosas, crisântemos, tomate e pimentão no verão, videiras, café jovem, hortaliças a pleno sol, criação animal |
| 50% | 50% | 6 a 9°C | Cattleya, Dendrobium, morango, begônias, bromélias, ervas aromáticas, suculentas no verão, viveiro de mudas geral |
| 70% | 30% | 10 a 14°C | Phalaenopsis, anturírios, samambaias, plantas de interior, germinação de sementes sensíveis, mudas recém-enraizadas |
| 80% | 20% | 15 a 18°C | Orquídeas de sombra profunda, espécies de sub-bosque, viveiros de mudas nativas delicadas, aclimatização pós-in vitro |
Importante: os valores de redução de temperatura são referências para condições típicas brasileiras. O resultado real depende da ventilação do ambiente, da umidade relativa e da intensidade da radiação local. Em ambientes fechados com pouca ventilação, o efeito térmico é maior.
Onde e como a tela de sombreamento pode ser usada
A versatilidade da tela de sombreamento é um dos seus principais atrativos. O mesmo produto serve em contextos completamente diferentes — o que muda é o percentual, a cor e a forma de instalação.
Floricultura protegida
A floricultura é o segmento onde a escolha da tela faz mais diferença. Uma pétala queimada não se recupera. A tela de sombreamento é usada como cobertura de topo, cobertura lateral e tela interna em estufas com plástico — criando zonas de sombra diferenciada por bancada. Orquídeas, rosas do deserto, crisântemos, lisianto, begônias e flores de corte têm exigências distintas que podem ser atendidas na mesma estrutura com o uso correto dos percentuais. Para detalhes por espécie, veja o guia completo sobre estufa para flores: tela de sombreamento e manejo por espécie.
Olericultura (hortaliças)
Folhosas como alface, rúcula e espinafre são as mais beneficiadas: o sombreamento de 35% a 50% reduz o estresse térmico, retarda o pendoamento e prolonga a janela de colheita. Em regiões quentes do Brasil, o cultivo de alface sem sombreamento nos meses de verão é prático quase inviável.
Para tomate e pimentão, a tela 35% é usada estrategicamente no verão para reduzir o abortamento de flores — que ocorre quando a temperatura interna supera 32°C. Fora dessa situação, essas culturas preferem sol pleno.
Fruticultura
Morangos em cultivo protegido recebem beníficio duplo da tela de sombreamento: redução da temperatura e proteção do fruto contra queimaduras solares diretas. Tela 35% a 50% nas laterais ou como cobertura sup. complementar ao plástico.
Videiras em regiões de alta irradiação usam tela 35% para proteger cachos contra queimaduras e manter acidez. Citrus, especialmente mudas jovens em viveiro (exigência legal para MPB), recebem tela antiafídeo nas laterais — mas o sombreamento complementar de 35% a 50% no topo melhora o desenvolvimento inicial das mudas.
Viveiros e produção de mudas
Vivérios são o ambiente onde o sombreamento é mais crítico e onde o erro de percentual tem maior impacto. Mudas recém-germinadas não toleram radiação direta — mas sombreamento excessivo cria plantas estioladas que não sobrevivem ao transplante.
O protocolo mais utilizado em viveiros profissionais é a redução gradual do sombreamento conforme a muda se desenvolve: 70% ou 80% na germinação, 50% no crescimento vegetativo, 35% na fase de aclimatização pré-transplante. Esse processo é chamado de endurecimento das mudas.
Cafeicultura
Mudas de café em viveiro precisam de 50% de sombreamento nas primeiras semanas. Plantas adultas em regiões de irradiação muito intensa podem receber tela 35% para proteger folhas contra queimaduras no verão — prática comum no norte de Minas Gerais e no Cerrado mineiro.
Criação animal
Bovinos expostos ao sol direto no verão reduzem o consumo de alimento e a produção de leite. Telas de sombreamento de 35% a 50% em páios e áreas de descanso reduzem a temperatura de bulbo negro e melhoram o conforto térmico do rebanho. Em aviculturas, o sombreamento das laterais do galpão com tela 35% a 50% é uma das medidas mais custo-efetivas contra o estresse calor em frangos de corte e poedeiras.
Ervas medicinais e aromáticas
Lavânda, alecrim, manjericão, melissa e erva-cidreira produzem mais óleos essenciais quando cultivadas com sombreamento leve de 35% a 50%. A redução do estresse térmico concentra os compostos voláteis nas folhas. Em cultivos orgânicos, a combinação de tela Freshnet cinza com 35% ou 50% é especialmente indicada: a luz difusa reduz pontuações e manchas nas folhas que desvalorizam o produto final.
Combinação com tela antiafídeo
Em estufas e telados, a tela de sombreamento é frequentemente instalada em conjunto com a tela antiafídeo. A divisão de funções é clara: a antiafídeo protege as laterais e entradas contra insetos; a tela de sombreamento cobre o topo e controla a radiação. As duas não se substituem. Para entender a função da antiafídeo no controle de pragas, veja o artigo sobre tela antiafídeo 50 mesh: o que é e como instalar.
Benefícios comprovados da tela de sombreamento
Redução de temperatura
O benefício mais direto. Dependendo do percentual e das condições do ambiente, a tela pode reduzir a temperatura interna em até 18°C em relação ao ambiente externo. Em regiões que atingem 38°C no verão, isso significa a diferença entre um ambiente de cultivo viável e um que destrói a produção.
Economia de água
Temperatura mais baixa = menor evapotranspiração das plantas. Ambientes sombreados com 50% chegam a consumir 30% a 40% menos água de irrigação que ambientes expostos ao sol direto nas mesmas condições de solo. Em áreas com restrição hídrica, essa economia se converte diretamente em viabilidade de produção.
Qualidade superior do produto
Flores sem queimaduras nas pétalas. Alface sem tip burn. Morangos sem mancha solar. Orquídeas com folhas saudáveis. A qualidade estética do produto agrícola — que define o preço de mercado — depende diretamente do controle de radiação. No caso das flores, um produto com defeito estético não tem segunda chance: vai para o descarte.
Prolongamento da estação
Com sombreamento, culturas sensíveis ao calor podem ser produzidas o ano inteiro, inclusive nos meses de verão em que normalmente seriam inviáveis. Alface no verão brasileiro é o exemplo mais claro — mas o mesmo vale para morango, ervas aromáticas e diversas flores.
Proteção contra granizo leve
A tela de sombreamento não é um sistema antigranizo, mas em eventos de granizo leve (grânulos pequenos), ela amorteçe o impacto e reduz danos em culturas de folhas delicadas. Não é sua função principal, mas é um benefício adicional relevante em regiões com ocorrência frequente.
Durabilidade e custo de uso
Com vida útil de 3 a 12 anos (conforme o tipo e a qualidade), a tela de sombreamento tem um dos melhores custos por ano de proteção entre todos os insumos de cultivo protegido. É reutilizável em diferentes áreas da propriedade, fácil de remover e reutilizar em outras estruturas.
Como usar corretamente: instalação e manejo
Tensionamento é fundamental
Tela solta acumula água da chuva formando “bolsas” que pesam sobre a estrutura e podem arrancar os pontos de fixação. A tela deve ser instalada esticada, com tensão uniforme em todos os lados. Quanto mais tensionada, maior a vida útil — a tela sob tensão sofre menos fadiga por movimentação com o vento.
Emendas com sobreposição
Quando o comprimento da área exige emenda de duas peças, a sobreposição mínima é de 15 cm. Abaixo disso, o vento separa a emenda com o tempo. A sobreposição deve ser fixada com grampos, arames plastificados ou costura com arame de PEAD.
Duas telas sobrepostas
Sim, é possível instalar duas telas na mesma estrutura para atingir um sombreamento maior. O cálculo não é aditivo: 50% + 35% não é igual a 85%. O efeito é multiplicativo: a segunda tela age sobre a luz que já passou pela primeira. Uma tela de 50% sobre outra de 35% resulta em aproximadamente 67% de sombreamento total. Isso permite combinações personalizadas sem precisar de um percentual exato que não está disponível no mercado.
Limpeza e conservação
A limpeza prolonga significativamente a vida útil. Poeira e algas acumuladas na malha aumentam o sombreamento real e sobrecarregam a estrutura. O procedimento correto: lavagem com água e vassoura macia de cerdas finas. Nunca usar produtos químicos abrasivos nem pressão de água direta, que podem danificar os fios da malha. Telas removidas no inverno devem ser armazenadas limpas, enroladas e protegidas da luz solar.
Remoção sazonal
Em culturas que precisam de sol pleno no inverno (tomate, pimentão, rosas), a tela pode ser removida nos meses mais frios e reinstalada no verão. Essa prática duplica a vida útil em comparação com instalações permanentes expostas o ano inteiro.
Perguntas frequentes sobre tela de sombreamento
Tela raschel e sombrite são a mesma coisa?
Sombrite é uma marca registrada que se tornou sinônimo popular do produto, assim como Xerox virou sinônimo de cópia. Raschel é o nome técnico correto do processo de fabricação. No uso prático, quando alguém fala “sombrite”, geralmente está se referindo à tela raschel de PEAD — o produto que a Arrud’Estufas comercializa.
Raschel ou nylon: qual dura mais?
O nylon dura mais em condições de uso intenso e instalações permanentes: 8 a 12 anos contra 3 a 8 da raschel. Porém, a raschel com aditivo UV de qualidade e tensionamento correto pode atingir o limite superior dessa faixa. Para uso rotativo, sazonal ou em estruturas que serão remontadas, a raschel é suficiente e mais econômica. Para instalações fixas de longo prazo, o nylon se paga ao longo do tempo.
A tela de sombreamento bloqueia chuva?
Não. A malha aberta deixa a água passar quase integralmente. A tela de sombreamento não substitui a lona de cobertura ou o filme plástico quando a proteção contra chuva é necessária. Em floricultura, onde a chuva sobre as flores causa danos, a combinação de filme plástico na cobertura + tela de sombreamento interna é o sistema correto. Para mais informações sobre lonas, veja o artigo sobre lona para estufa: como escolher por cultura, micras e tipo de filme.
Posso usar tela de sombreamento no solo, como mulching?
Não é a função correta. Para cobertura do solo, o produto adequado é a ráfia de solo (ground cover): tecido mais resistente à compressão, ao pisoteio e à pressão de radicelas. A tela de sombreamento no solo se deteriora rapidamente e não oferece a durabilidade nem a estabilidade mecânica necessária. Veja mais sobre o produto correto no artigo sobre ráfia de solo: para que serve e como instalar.
Qual percentual para uma horta doméstica?
Depende do que você cultiva e da região. Para a maioria das hortaliças folhosas em regiões quentes (acima de 28°C no verão), 35% é o ponto de partida — reduz o estresse sem comprometer a fotossíntese. Se você cultiva tomates ou pimentões, 35% é suficiente. Para ervas aromáticas e flores, 35% a 50%. Para orquídeas em casa, 50% a 70%.
A tela vermelha realmente faz diferença no crescimento?
Sim, mas em situações específicas. O efeito é documentado: a luz vermelha estimula as fitocromos e promove elongamento de hastes. Isso é vantajoso para flores de corte que precisam de haste longa e para mudas destinadas a transplante. Não faz diferença mensurável em culturas como alface, tomate ou cucurbitáceas, onde o objetivo não é o comprimento da haste. Use a tela vermelha com objetivo claro — ela não é melhor que a preta em geral, é específica para alguns resultados.
Telas de sombreamento Arrud’Estufas: raschel e nylon, cortadas sob medida
Na Arrud’Estufas, trabalhamos com tela de sombreamento raschel preta e cinza Freshnet nos percentuais 35%, 50%, 70% e 80%, raschel vermelha em 30%, e tela de nylon preta nos percentuais 35%, 50%, 70% e 80%. O produto é vendido cortado sob medida, sem quantidade mínima de metragem, e entregue em todo o Brasil.
Ver telas de sombreamento disponíveis — Arrud’Estufas
Dúvida sobre qual tela usar na sua situação? Fala no WhatsApp — (17) 99222-7971







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